Discografia

Saiba mais a respeito de cada álbum, veja a lista das músicas de cada um e ouça o trabalho de Pepeu Gonçalves.

volume 1

Com a Alma Aquerenciada nos Campos

volume 1

Do nosso jeito

volume 3

100% Gaúcho

Atracando no Más

Regional

volume 6

Jeitão de Gaúcho

volume 1Com a Alma Aquerenciada nos Campos

Em 2002 surge a ideia do 1° trabalho:
"Com a Alma Aquerenciada nos Campos", trabalho este divulgado por todo o estado em 2003. Um disco produzido de maneira independente e gravado no Estúdio Fábrica de Sonhos na cidade de Canela - RS.

01 - Aos Cavalos da Serra

Essa chuva de verão
Que cai no lombo da terra
Que molha os campos dobrados
Que mata a sede do meu pingo crioulo
Que corcoveia
Nesta pintura chamada serra

O Rio Grande vai subir
Arrebentando as porteiras
O Rio Grande quer sorrir
Com cavalos da marca gaúcha, cavalos de estouro
É crioulo
Nesta pintura chamada serra

Enquanto houver um gaúcho
De bota bombacha bem pilchado
Cruzando os campos dobrados
De a cavalo lá na Serra

02 - Aos Que Têm Alma de Campo

Letra: Felipe Araújo
Música: Pepeu Gonçalves

O tempo é Bueno, a vida é tranqüila
O gado ta gordo e é tempo de esquila
O mouro ta manso pro andar das crianças
A lida é bruta, mas nunca me cansa
Carrego na alma orgulho daqueles
Que fizeram estâncias pra vida da gente
Lidando em seus baios, gateados e mouros,
Rosilhos de estouro, plantando a semente

O dia começa a estância acorda
É tempo de lida, de banho e esquila
A peonada ta pronta o sal ta na mala
Pra invernada de cima
O Silvano e o Ferpa se vão pra este lado
Sem deixar nenhum pois tem gado bichado
O Florêncio olha o fundo, O José o outro lado
Eu vou por aqui com o tio Luis no costado

Carrego em meus sonhos e peço a Deus
Por dias campeiros na vida dos meus
Que cuidem o campo, o gado e os potros
Regalo pra vida, herança dos outros
Genuínos avós, que deixaram pra nós
Um Rio Grande de herança e uma pátria nos bastos
Os arreios plateados e um semblante de campo
Uma vista na tropa e uma crença nos santos

A noite acampa, a estância adormece
A tropa descansa, só alua aparece
A peonada que charla de prosa faz verso
Contando pegadas da lida do dia
Só de gaita e violão as canções vão brotando
Pra alma daqueles que fizeram campos
É a sina da gente que vive pra fora
E tem alma de campo

03 - Com tempo feio lá fora

Quando o tempo se arma na Serra
Escondendo o topo do cerro
Uma garoa galopeada
Só pra encharcar os pelegos
Pra quem reponta o gado
A boca não é boa meu parceiro
Vento batendo de frente
Laço apresilhado nos tentos
E um refugo se apartando
Pros meus descontentamentos

Essa é a vida lá fora
Essa é a vida que eu levo
Encarando tempo feio
Mesmo assim nunca me entrego
Laçando de toda corda
Gineteando ferro e ferro

Pode amanhecer chovendo
Trago as vacas pro potreiro
Numa tiração de leite
E o guachedo num berreiro
Passando os dias do agosto
A castração vem primeiro
Pealando só de "cucharra"
Bago assando no brasedo
Nalgum terneiro mais forte
A gineteada é um brinquedo

Essa é a vida lá fora...

Por mais judiada que seja
A vida de peão campeiro
Se fazendo o que gosta
Nunca bate o desespero
Numa lida de mangueira
Se chover deixa que chova
Embarrado até o joelho
Dando risada à toa
Agarrado num terneiro
"OiGalê" vida bem boa

Essa é a vida lá fora...

04 - Contando a Tropa

Letra: Felipe Araújo
Música: Pepeu Gonçalves

Se vão dez dias que eu lido com esta tropa
Em trote manso empurrando ao parador
A chuva encharca o meu poncho e o meu chapéu
E o meu cusco vai firme no fiador
Lá na culatra venho eu na minha gateada
Puxando aponta Tio Juvêncio estende um grito
Que chama o gado e neste tranco a tropa atende
No êra boi e venha boi a gente aprende

Pois volta e meia a gateada estende o olhar
De orelha alerta avista a estância no luar
A chuva pára e o assobio sai mais tranqüilo
Contei o gado e ta bem certo pra entregar

Um boi tenteia e o cusco oveiro chega junto
Fiel parceiro nesta lida de tropear
Gruda o garrão e o brasino pega o rumo
Bamo gateada mete os peito e faz volta
A tropa segue e vai chegar dali tres dias
Vaca de cria, boi criado, terneiro novo
Pra quem tem alma de a cavalo a vida é linda
O tranco é bueno e esta é a lida do meu povo

Pois volta e meia a gateada estende o olhar...

05 - Grito Forte

Num grito forte lá detrás do cerro
Onde a gadaria perto do rodeio
Vai remoendo o pasto de um jeito matreiro
E um quero-quero alerta grita como "lôco"
Um grito forte num capão de mato
De um zebu alçado, do pelo brasino e do lombo osco

Num grito forte no fim da invernada
Onde de a cavalo vem a peonada
Que pata e pata reculuta a eguada
No fim do dia que morreu sestroso
Num grito forte ao chegar nas casa
O pingo entonado, a alma nos tentos e um jeito garboso

Num grito forte de dizer pros "otros"
Que a gente é assim oigalê mas que tal
Num grito de cantar pros "otros"
Que o Rio Grande Velho é imortal é bagual

06 - Mágoas de um campeiro só

Numa tarde de inverno, era água que Deus mandava
O campo encharcado, o lombo molhado
E o peito inchado dos desenganos
De quando em vez algum paisano
Me orelhava em pensamentos
E os meus arrependimentos
Seguiam me maltratando

Êra vida ingrata,
Mágoas de um campeiro só

Nem sempre depois da tormenta, chega logo a bonanza
Quando o arrozal se termina
Quase sempre o tombo é certo
O longe nunca foi perto
E é assim que sigo solito
Ao tranco bem despacito
Num mundo só meu mas deserto

Êra vida ingrata...

Não é bueno viver com tristezas e quem vive me entende
Olhar meu galpão já despido
Sem os olhares da prenda
Peço à sorte que me entenda
E me ajude até o fim do inverno
Pra que não me apodreça o cerno
Traga de volta a minha prenda

Êra vida ingrata ...

07 - Metendo a Doma

Foi numa estância gaúcha, bem lá no topo da serra
Que um moreno fronteriço, cru de ginete e campeiro
Saiu metendo uma doma, num animal muy estranho
Meio macho meio fêmea, égua filha da morena
Estreita e de pouco tamanho

Metendo a doma lá na serra
Vem um índio da fronteira
Te agarra bem no lombilho
E ata só na soitera

Quando troxeram do campo, aquela coisa franzina
Foi motivo de risada, pois não tinha visto ainda
Égua com jeito de macho, e massaroca na clina
Guinchava feito cuiudo, e eu sem saber de tudo
Disse doma esta rosilha

Metendo a doma...

Depois de encerrar o matungo, e encher o bucho de bóia
Aos poucos foi se endireitando, ficou que era flor de tropa
Disseram puxa pra fora, "bamo" mete esta doma
E já no tirar da cocheira, a égua era cru de matreira
E deu serviço pra uns quantos

Metendo a doma...

Já de rendilha na boca, e com o basto sobre o lombo
Os companheiro agarrando, e a égua fazendo estrondo
Pula o Macedo pra cima, e o bicho salta pegando
Só se via a "lo largo", debaixo da cola um cabo
E o moreno enganchando

Metendo a doma...

Hoje a égua ta domada, buenacha barbaridade
Laçando e trompando boi, com os órgão pela metade
Um buraco e um caroço, bem por debaixo da cola
Rufiando a eguada, e quem olha ainda fala
Eta égua Meia-Boca

Metendo a doma...

08 - Numa cruzada de campo

Numa cruzada de campo, boto o pingo na estrada
Um sombrero de aba larga, me defendia do vento
No meu acompanhamento um fronteiriço também vai
Volta e meia um "sapucay"
Pra apurar o trote lento

Com a égua de a cabresto, cruzando cerca e banhado
O potrilho do meu lado, se assustava com o tormento
"Ala maula" mas que tempo, já não se via mais nada
Só a égua relinchava
Em sinfonia com o vento

Uma gateada rosilha, coiceira e sotretona
Mordedeira, redomona, flor de arisca e matreira
Mas ainda era faceira, crioula pura e lindaça
Fazendo alguma arruaça
Querendo chegar primeiro

Num Grito, Êra cavalo
Puxa esta égua parceiro
Temos que voltar ligeiro
Pro patrão não complicar
Larga a égua na mangueira
Se quiser pode amarrar
Depois de botar em cria
Leva pro lado de lá

09 - Pra Quem sonha bonito

Queria viver o sonho de ter um ranchito pra mim
Plantar e colher no verde dos campos cavalos de estouro
De pata parada olhando a eguada e cantando pros meus
Que a vida não espera e quem dorme em tapera sempre diz adeus

Um rancho singelo mas mesmo assim belo pras "cosas" que eu quero
Um gateado Bueno, no campo o sereno e a prenda nos braços
Mateando bem cedo, olhando pro cerro onde a tropa se junta
Campeio este sonho que embora medonho me manda ir a luta

Se a vida é um sonho
Sonhar é preciso
No sonho da vida, lá na despedida
Quero estar contigo
Sonhar enobrece
Não precisa ser dono
Quem sonha bonito, logo a despacito
Realiza o sonho

10 - Talvez me sobre um Cavalo

Letra: Marcelo Carvalho
Música: Rafael Simioni

Escuto a cambona chiar, ao pé do fogo de chão
Preparo meu chimarrão, pra ganhar o fim da tarde
Concedo à mim a verdade, no calor deste braseiro
Porque quando estou solito, meu mate é o meu parceiro
Estendo a vista na várzea e no verde das pastagens
Contemplo estas paisagens, que alambram meus caminhos
De onde quebro os espinhos e retiro ensinamentos
Onde purgo meus tormentos de viver em desatinos

Talvez me sobre um cavalo num futuro que aproxima
Pois faz parte da minha sina esta lida de peão
No lombo passo o xergão pra depois de estar domada
Deixar a alma acolherada na altivez do meu galpão

Me vem a doce lembrança, que atiça os meus desejos
Daquela que com seus beijos, cobriu-me de ternura
Fazia bela figura, com seu jeito de princesa
Mas deixou-me na incerteza, por pensar ser aventura
Hoje repasso os planos, a cada romper de aurora
Depois rumo campo à fora, pra espantar a solidão
Disparo numa coxilha, pra sentir o vento na cara
E esta pampa é quem ampara e aquieta meu coração

Talvez me sobre um cavalo...

11 - Velho Tropeiro

Os tropeiros da Amizade

Meu velho pingo já está cansado
Dos velhos tempos de lidar com gado
Aquele pala que foi minha coberta
Hoje só resta num canto guardado
E quando eu olho pra aquele arreio
Vejo meu laço velho arrebentado
Tudo é lembrança de muitas proezas
Deste que agora vive dominado

Quem me domina é uma saudade
Que há muito tempo vem me maltratando
Sei que não posso mais voltar pra lida
E pouco a pouco vou me conformando
Sinto meu corpo já envelhecido
Vejo meu rosto velho enrrugado
Mas não receio de pegar no chifre
De um boi alçado e jogar deitado

Sinto saudades de tropear nos pagos
Pousar na estrada perto de um capão
Ver um churrasco em cima do braseiro
Olhar a cuia andar de mão em mão
Pego no pinho e canto uma toada
Até parece que tudo é um sonho
E este sonho eu lembrarei até morrer

Com a Alma Aquerenciada nos Campos

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